Arquivo da tag: Slow Fashion

Cânhamo na moda

Nos últimos anos percebe se um aumento em marcas que estão utilizando a fibra do cânhamo para desenvolver produtos têxteis, que também são conhecidos por hemp.

As roupas com o selo hemp são associadas a algo alternativo, as marcas utilizam de processos naturais e artesanais para a produção das peças.

foto 1

foto 2

foto 3

O cânhamo é biodegradável e também uma das mais resistentes entre as fibras têxteis naturais, as peças confeccionadas têm um ótimo isolante térmico, são quentes no inverno e frescas no verão e também bloqueiam os raios ultravioletas de forma mais eficiente.

foto 4 foto 5 foto 6

A fibra de cânhamo é áspera, mas com os avanços tecnológicos ela passa por processos que a tornaram mais fina e macia, assim se tornou uma nova possibilidade para a indústria da tecelagem.

foto 7 foto 8 foto 9

A Envio Textiles que fica nos Estados Unidos é uma pioneira em tecidos sustentáveis e importadora de 100 tecidos com cânhamo, muitos deles já são usados por marcas famosas como a Versace e Ralph Lauren.

A indústria têxtil está começando a influenciar na criação de produtos com consciência de sustentabilidade. È um processo lento, mas não é impossível deixar um impacto de positividade através das nossas compras.

Braintree Clothing fundada pelos amigos John e David na Austrália, começou com coleções cápsula feitas com hemp ( Cânhamo), roupas naturais com design bacana. Hoje a marca tem linhas feminina e masculina, com vestidos, moletons, túnicas, jaquetas, camiseta e bermudas.

foto 10

A marca Shift Nature trabalha com cânhamo, algodão orgânico,bambu e outras fibras naturais. Confeccionam roupas de cama com design minimalista e oferecem informações de origem e processos sobre as peças compradas.

foto 11

*

Por Elizangela Gomes, professora do Núcleo de Criação da Sigbol Fashion.

Referências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 e 15

Voltando às origens – Moda e Arte na contramão do fast fashion

A evolução pela qual passou a moda em toda a sua história, e o “boom” capitalista que se tornou, se deve à revolução industrial e a produção em massa. Antes disso, os processos eram artesanais, envolvendo arte, sonhos, mãos habilidosas, pensamentos vagando entre agulhas e toda a sensibilidade que isso provoca – Não que hoje isso não exista mais, mas os processos industriais dominam e muitas vezes, bloqueiam um pouco o criativo, em uma corrida por produção, vendas exorbitantes e lucro imediato.

Enquanto isso na contramão, sobrevivem artesãos, costureiras, alfaiates, bordadeiras, crocheteiras entre outros profissionais que, mantendo tradições, sem pressa nem atropelos, mantém viva a arte da encomenda, do sob medida, da produção artesanal.

E não pensem que os sobreviventes são as vovós e titias! Despontou agora um movimento de “Slow Fashion” em que a produção artesanal tem superado a ansiedade por vendas e driblado a estrutura escravocrata, e dois nomes despontaram nessa trilha: Gabriel Pessagno, com seus bordados e Gustavo Silvestre, com seus crochês.

Gabriel Pessagno cursou moda  e após passar pelas estruturas rígidas da indústria, montou uma marca (River) e, insatisfeito, optou por pesquisar o trabalho feito nas maisons e deciciu que queria trabalhar cada peça de roupa artesanalmente.  

Gabriel já fez bordados para a marca Tilda, para ateliês de moulage e está iniciando sua produção. Assim, o garoto que fez roupas bordadas com parafusos, porcas, entulhos e pedaços de ferro velho para o TCC de seu curso de moda, está só no começo de uma carreira que promete deslanchar com muita sensibilidade e sucesso.

1, 2 e 3

            Gustavo Silvestre é natural do Recife, fez diversos cursos na área, ganhou prêmio de moda em Brasília e participou da Casa dos Criadores. “Até que fui pra China, havia uns investidores interessados no meu trabalho, a ideia era baratear a produção, que sempre teve essa coisa do manual, da estampa à mão. Voltei decepcionadíssimo. Ver aquela quantidade de roupas sendo feita, eles me perguntando ‘quantos contêineres você vai querer’, a estrutura deu um nó na minha cabeça”, conta o estilista. E após parar, repensar e respirar, acabou descobrindo uma nova trilha, e com a Stylist Chiara Gadaleta, do projeto Mãos do Brasil, mapeou comunidades de artesãos e com isso, acabou pegando gosto pelo crochê e resolveu aprender a técnica. Gustavo se diz muito mais realizado agora, atendendo com hora marcada e divuldando sua obra pelas redes sociais, “Eu não tenho escravo, está bem mais prazeroso. Ganhei uma cadeira de balanço, sento lá e se deixar, passo o dia me balançando e fazendo crochê”, conta. O estilista que já vestiu Karina Bu, Céu e Vanessa da Mata, agora prepara uma coleção de jóias de crochê para a estilista Adriana Barra.

4, 5 e 6

*

Por Camilla Capucci – Professora do núcleo de moda da Sigbol Fashion

Referências: 1, 2 e 3.